Mostrando postagens com marcador rascunho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rascunho. Mostrar todas as postagens

9/27/2014

Hoje eu acordei e segui com a rotina. O dia estava ok, o clima com aquele céu pesado prestes a cair, o tempo úmido e abafado ao mesmo tempo que poderia fazer qualquer um querer gritar de desespero. Não a mim, estava acostumada. Chequei o telefone, você tinha respondido minha mensagem com um "Ok"; perguntei se tinha algo errado e você respondeu que não. Eu sabia que tinha, claro que tinha. O errado é que eu tava ali rastejando aos seus pés como sempre, prendendo a respiração a cada mensagem sua que chegava pelo menos três horas depois de eu ter enviado alguma coisa e as vezes a resposta não chegava. Eu não merecia que você se desse ao trabalho de me responder. Engoli mais um calmante e observei a tremedeira do corpo suavizar, nessas horas eu gostaria de ser fumante pois dizem que um cigarro resolve tudo. Acontece que eu não fumo, eu mal bebo e não tenho outra maneira de esquecer e fugir de você.
Mas hoje eu que sempre fiquei tão encolhida, tão escondida atrás de você, resolvi sair e deixar a chuva bater na minha pele, me assumir como ser humano e não como um enfeite que precisa ser cuidado. Era assim que você me via não é? Uma boneca enfeitando a sua estante, linda com os cabelos penteados e enfeitada de jóias porém morta e ao seu dispor, ao término da brincadeira era simples coloca-la de volta na estante e apenas lembrar-se dela quando a vontade de brincar batia de novo. Mas eu não quero mais brincar, não quando meus sentimentos estão em jogo. Eu ganhei vida e pulei fora da sua estante. Por mais que dentro de mim ainda existe aquele sentimento que me pede pra correr pra você, implorar pra ser cuidada novamente porque isso seria bem mais fácil, eu não vou ceder a isto. Não, a hora do recreio acabou e está na hora de ser responsável pela minha existência.

8/25/2014

Basta

A imagem no espelho me parecia estranha esta manhã, como se eu não reconhecesse mais a menina que me encarava de volta naquela imagem. Os olhos inchados e vermelhos e as pesadas bolsas embaixo dos olhos eram uma lembrança de como havia sido a última noite. Na cama, o travesseiro ainda se encontrava encharcado de lágrimas. Não era assim que eu tinha planejado passar essa viagem para esse lugar paradisíaco. Da janela do hotel eu posso ver a praia e os pássaros, o mar tão azul e convidativo. O dia está lindo e o sol brilhando e por um momento desejei que você ainda tivesse comigo, aqui nessa varanda segurando minha mão e me dando "sweet little kisses" como você os chama. Mas não existe mais você pra mim, não existe mais nós. Eu passei a noite inteira chorando e me perguntando onde foi que eu errei, o porquê das coisas  terem se dado desta forma se até uma explicação você me negou.
Mas hoje chega, hoje não vou ser mais escrava do passado, não sou mais sua escrava. Hoje é o dia que eu resolvi passar por cima de nós, do passado e decidi que eu não preciso de você para me completar. Eu tenho que ser inteira e me relacionar com pessoas igualmente inteiras. Coloquei o meu biquini, arrumei o meu melhor sorriso e estou indo pra vida. Sem ninguém pra me proteger ou pra me segurar quando eu cair mas eu vou aprender a levantar sozinha das minhas próprias quedas. Hoje eu vou descobrir o que a vida tem pra mim e me descobrir mais ainda enquanto mulher. Apaguei sua última foto do meu celular. Hoje eu estou, finalmente, dando adeus para você.

8/22/2014

Ela acordou sobressaltada no meio da noite, todo seu corpo suava e tremia sem cessar. Agora acordada não conseguia mais se lembrar do que havia a feito acordar daquela forma mas por um tempo as sensações de frio e calor se misturaram. Ao se dirigir a janela e encarar o céu noturno estrelado ela se perguntou se por um acaso esse não seria o mesmo céu que ele estaria olhando agora. Ou será que lá onde ele estava, do outro lado do oceano, já fosse de manhã e a lua já teria ido se esconder dando lugar a um céu azul e frio. Ela leu tudo que encontrou sobre o país dele e sabia dizer de cor algumas informações: temperaturas baixas, três línguas oficiais (alemão, francês e o neerlandês conhecida como “dutch”), culinária famosa por chocolates e cervejas e tantos etc. Mas saber de tudo isso não ajudava em nada na situação e definitivamente não ajudava a decifra-lo melhor. Porque apesar de saber tudo, como uma boa menina que faz seu trabalho de casa, essas informações eram vazias diante do olhar dele ou do sarcasmo ácido. Ainda não inventaram um “Google” para ensinar a lidar com relacionamentos, com a distância e a dor que ela provocava. Ela estava tentando não estimular a tristeza, tentando não se entregar a esses sentimentos que a puxavam pra dentro de si mesma. Mas era sempre a mesma coisas, as mesmas músicas que tocavam e tudo a lembrava dele e do que não podia lembrar, ou pelo menos não queria.
Pra fugir dos pensamentos ela voltou para cama e checou o celular, um outro rapaz que estava flertando com ela havia mandado trechos de Goethe. Pobre rapaz mal ele sabia que quando ela lia aquilo sua cabeça voava pra bem longe dali e ia lá para o outro lado do mundo onde estava os olhos verdes com os quais sonhava. Por que não simplesmente desapegar de tudo isso e esquece-lo ? Virar as costas e fechar a porta para todo esse sofrimento que agora a corroía por dentro. Mas ali, naquele momento com o celular na mão ela ia mesmo a procura das poucas fotos dele que ainda mantinha guardadas, como aquela dele deitado na cama com um sorriso aberto e convidativo. Não parecia o mesmo homem que respondia "Ok" com tamanha frieza, parecia um homem que era capaz de a abraçar a noite inteira enquanto lhe dava pequenos beijos. Ele era capaz das duas coisas: de ferir e de fazer sarar.
Mas tinha acabado e agora ela sabia disso. Não havia mais saída de emergência ou justificativas. Era o fim. Deitada na cama ela deixou as lágrimas lhe escorrerem quentes pelas bochechas enquanto no seu IPhone tocava aquela música que agora fazia tanto sentido para ela.

"I know it's over
And it never really began
But in my heart it was so real"
The Smiths - I Know It's Over

8/10/2014

O dia frio de hoje parecia dizer exatamente como eu me sentia, como se eu e a chuva fossemos uma só. E hoje é a primeira vez que eu choro por sua causa, a primeira e a última eu espero. Ironicamente o iTunes hoje pulou aleatoriamente para uma música que eu não ouvia há pelo menos uns 3 anos, My Velvet Little Darkness. Eu sempre me espantei como letras de música conseguem traduzir o que eu sinto, é como se a minha vida toda tivesse uma trilha sonora. E essa agora veio pra falar por mim, pelo que eu sinto, pelo frio que essa distancia me traz e sobre como tudo isso não passa de um sonho, um conto de fadas. "It's velvet but it's untrue". Será que essa nossa ligação é assim tão frágil ? Será que a gente não sobrevive a isso ? Nesse exato momento me pergunto se devo apertar o botão "publicar" e tornar visível toda essa minha confusão ou se simplesmente devo apagar isso tudo que eu escrevi e ignorar. Será que eu consigo fingir que nada disso aconteceu e que você simplesmente não existe mais ? No momento está tão marcado na minha mente que é simplesmente impossível, é tão real que eu quase posso senti-lo e quase posso sentir o peso das suas palavras também e a forma como elas me atingiram. Dói tanto quando você fala assim e dói tanto agora e parece que é real.

7/12/2014

Carta aberta, peito aberto.

As coisas parecem tão vazias. Mesmo as coisas que antes emocionavam, o cheiro que dava saudades, as memórias vivas pelo corpo... nada mais, tudo sem vida. As memórias de momentos bons ainda persistem porém aparentam ser algo tão distante da nossa realidade, como um filme que assistimos na TV. Uma memória de uma risada fácil e leve, a cócega na barriga, a esperança nos olhos. Você lembra das palavras proibidas e as primeiras vezes que as proibições foram quebradas ? Palavras como nós, amor, pequena. O sorriso de alegria no seu rosto quando meu segredo foi revelado. "Ah, eu já sabia !"
Essas coisas, tudo o que escrevo não faz sentido pra ninguém além de nós, não é mesmo ? Ninguém que ler vai entender mas você vai.
E todo esse passado que agora parece tão distante, tão não real e que um dia existiu, foi real, vivemos e sentimos aquilo. Como vivemos e sentimos o agora, o frio e doloroso presente. O que se tornou o presente foi o silêncio, a indiferença, o desconforto e claro, o afastamento. Aquelas palavras que significavam tanto, agora tantas vezes ditas e o vazio que vem com elas, palavras que ecoam no silêncio do nosso mundo. Mundo este tão fechado, tão utópico, tão irreal que simplesmente e somente não está resistindo.

11/25/2013

Ontem o dia passou devagar, passei o dia todo dopada sob o efeito de um remédio que mal deixava eu me levantar da cama. Mesmo assim eu tremi. Tremia levemente, nada que saltasse aos olhos. Antes de dormir os olhos ardiam e as lágrimas  caiam copiosa e silenciosamente. Toda vez que vem o choro, vinha a tremedeira e eu sabia bem disso. Chorei até a vista embaçar, deixando turva a imagem do filme que passava na televisão.

Então é oficial, estou dando um tempo. Um tempo para as coisas que me machucam e que me ferem. Você sabe, há bastante tempo tenho deixado que elas corram livremente e venho me sentido esfaqueada, invadida e aberta desde então. Por isso eu mereço um tempo delas. Igualmente um tempo das coisas que me deixam sem gostos, sem sentir, então um tempo com os relaxantes e calmantes ; um tempo com tudo aquilo que me dopa, que me tira do ar só para eu não sentir. Eu quero sentir, eu quero sofrer, mas tudo da maneira certa, não é ?
E um tempo com você, que achou que eu iria culpa-lo por tudo isso que acontece. A verdade é que eu só culpo uma pessoa: eu mesma. Não por ter te deixado chegar e entrar na minha vida. Mas por ter deixado que o estrago fosse feito. Por ter sido cúmplice com você nesse ato de invasão. Por ter te dado sintomas que falavam ao invés de palavras. Por ter convertido todos os meus sentimentos negativos. Por ter te dado a crise histérica. Não sei se a escrita ou a talking cure vão funcionar comigo, mas a auto preservação sim. Então como te deixar saber do tempo ? Você vai saber. Aos poucos eu vou escorregar para longe. Suas coisas já estão separadas, não quero vê-las com frequência, não quero me deixar ferir por mais alguma coisa. Tem vezes que é melhor só, melhor protegidinha. Minha carne já ficou exposta o suficiente para  o corte.
E o medo ? Do mesmo medo que você perdeu eu também quero um tempo.

7/19/2013

Descostume.

Algumas experiências na nossa vida nos mostram como o tempo é importante, como o tempo define. As coisas seguem seu curso natural ou o curso que deixamos seguir. Não sei.
Eu sei que aos poucos as coisas vão se ajeitando, os dias vão lotando e você fica preenchido. As fotos vem e estão lá na sua biblioteca de imagens do seu celular, os dias que antes sem significado começam a significar, as roupas, os cheiros, os ares. E você se acostuma e acomoda essas mudanças. E consequentemente a resignificação dos símbolos que essas mudanças trazem.
O problema é que uma hora ou outra virá o descostume. Ou nova mudanças mas gosto de chamar de "descostume", como se perdesse algo entende ? As fotos vão deixando de ser tão frequentes até que você tenha que garimpar uma ou outra perdida no meio de tantas. Os cheiros se tornam estranhos a você. Os dias são apenas dias, não mais datas importantes. Até que você acha algo perdido, pode ser um fio de cabelo, um presente, uma roupa, e aquela coisa te lembra de algo, te lembra de como era. Mas agora já foi. O descostume chegou. Seja de forma dolorosa, seja imperceptível mas ele chegou.

Aos poucos eu, você, nós aprendemos a desacostumar.

5/21/2013

A Imagem


O espelho do banheiro estava embaçado e era difícil enxergar muita coisa, mas mesmo assim ela forçou os olhos para se ver. Uma criatura no espelho a olhava mas ela não se reconhecia, a aparência era de um monstro. O rosto era profundamente marcado, havendo grandes bolsas embaixo de seus olhos que estavam profundamente inchados e irritados. Era assustadora e irreconhecível. Tão jovem, nem vinte anos completos e tanta dor, tanta angústia... era marcada como se já tivesse vivido mais de 50 anos.

O que podia fazer ? A imagem no espelho lhe encarava de volta, mostrando toda sua derrota.


1/08/2013

.

Mas por que tantas fotos ? Por que tantos buracos na parede ? São incontáveis, intermináveis e quando acho que nada pode me lembrar mais... eu acho algo, uma meia, uma escova de dentes, uma roupa perdida...

Quer saber ? Tomei coragem e coloquei todas as suas coisas em uma caixa(foi difícil, eram muitas!) e as deixei lá no alto do guarda roupa e com um aviso: só mexer quando estiver pronta. E quem sabe né, você resolve pega-las de volta ?

"Só eu sei que foi melhor assim, as vezes é mais saudável chegar ao fim"

1/04/2013

.

Fica borrado de preto. Todo o meu rosto fica borrado de preto (uma mistura de delineador com rímel) quando eu desligo o telefone. Chega, suas palavras ferem, rasgam a carne e a deixa exposta. As cicatrizes no rosto, costas, seios e barriga voltam a arder (são invisíveis). Minha cabeça arde como se fosse pegar fogo, os joelhos doem e o estomago se embrulha.

"Você matou o amor. Você matou a confiança... Agora queime no inferno"

12/28/2012

...

E estranhamente notou que, mesmo tendo um amor, continuava vazia. E então percebeu que essa paz, esse equilíbrio que buscava só viria através do amor próprio e esse tipo de amor era bem mais difícil de se conquistar.