8/10/2014

O dia frio de hoje parecia dizer exatamente como eu me sentia, como se eu e a chuva fossemos uma só. E hoje é a primeira vez que eu choro por sua causa, a primeira e a última eu espero. Ironicamente o iTunes hoje pulou aleatoriamente para uma música que eu não ouvia há pelo menos uns 3 anos, My Velvet Little Darkness. Eu sempre me espantei como letras de música conseguem traduzir o que eu sinto, é como se a minha vida toda tivesse uma trilha sonora. E essa agora veio pra falar por mim, pelo que eu sinto, pelo frio que essa distancia me traz e sobre como tudo isso não passa de um sonho, um conto de fadas. "It's velvet but it's untrue". Será que essa nossa ligação é assim tão frágil ? Será que a gente não sobrevive a isso ? Nesse exato momento me pergunto se devo apertar o botão "publicar" e tornar visível toda essa minha confusão ou se simplesmente devo apagar isso tudo que eu escrevi e ignorar. Será que eu consigo fingir que nada disso aconteceu e que você simplesmente não existe mais ? No momento está tão marcado na minha mente que é simplesmente impossível, é tão real que eu quase posso senti-lo e quase posso sentir o peso das suas palavras também e a forma como elas me atingiram. Dói tanto quando você fala assim e dói tanto agora e parece que é real.

8/08/2014

Behind green eyes

Tem coisas na vida que acontecem pra nos questionarmos e pensarmos que talvez exista um destino. Eu acho que você foi coisa do destino. Mesmo que eu te detestasse no princípio e estivesse sempre na defensiva, dizendo que a minha vida era ótima e que eu não tinha interesse e tempo mas você sabia que eu não estava feliz. A minha vida era cinza e você chegou a colorindo de verde. Você que era insuportável mas acolhia gatinhos, que era frio mas que queria segurar mãos. Você tão seguro de si o tempo todo como se soubesse o tempo todo o final dessa história e sim você ainda hoje age como se tivesse o controle nas mãos ou talvez no olhar. Não sei se foi o seu olhar ou o seu sorriso, seus olhos eram tão verdes e pareciam me encarar sem medo, sem pudor. Não vou ficar aqui te descrevendo até porque morro de ciúmes de você e não quero ninguém nem te imaginando, você é só meu. Achava-te frio o tempo todo mas sempre revia nossas conversas e percebia seus gracejos e suas palavras doces depois. Eu te acho arrogante mas lembro que foi você que cedeu primeiro, você disse aquelas três palavras que eu tanto queria ouvir e depois disse elas no meu idioma, acho que era pra garantir que eu havia entendido. Meu inglês pode estar enferrujado mas elas me atingiram violentamente e depois quando você falou na minha língua o significado delas se renovou. E agora aqui estou eu, escutando repetidamente a sua voz por uma mensagem de celular e estou perdida, pairando, como você chama isso mesmo? Daydreaming. É, estou como uma adolescente com seu primeiro amor e ainda tentando me convencer que posso te largar a qualquer hora e dar um basta nisso. Lembra quando você me afirmou que eu precisava de um homem como você na minha vida? Eu te odiei quando você disse isso e sabe por quê? Porque é verdade. Mas não é um como você, é só você. E você sabe disso e me tortura com seu romantismo implícito, com suas carícias na bochecha, como se tivesse me testando. Até aonde eu iria? E eu fui ao meu limite e nunca sozinha, você estava lá pra me levantar depois de um momento difícil e por mais que esse seu inglês estivesse carregado demais de um sotaque estranho que fazia soar como alemão, eu te compreendia e você me compreendia e isso era tudo. É tudo. Eu sempre odiei a cor verde, nunca usava nada verde mas seus olhos vieram mudar isso de forma tão repentina. Eu amo verde baby porque onde eu vejo verde agora eu vejo seus olhos.

7/12/2014

Carta aberta, peito aberto.

As coisas parecem tão vazias. Mesmo as coisas que antes emocionavam, o cheiro que dava saudades, as memórias vivas pelo corpo... nada mais, tudo sem vida. As memórias de momentos bons ainda persistem porém aparentam ser algo tão distante da nossa realidade, como um filme que assistimos na TV. Uma memória de uma risada fácil e leve, a cócega na barriga, a esperança nos olhos. Você lembra das palavras proibidas e as primeiras vezes que as proibições foram quebradas ? Palavras como nós, amor, pequena. O sorriso de alegria no seu rosto quando meu segredo foi revelado. "Ah, eu já sabia !"
Essas coisas, tudo o que escrevo não faz sentido pra ninguém além de nós, não é mesmo ? Ninguém que ler vai entender mas você vai.
E todo esse passado que agora parece tão distante, tão não real e que um dia existiu, foi real, vivemos e sentimos aquilo. Como vivemos e sentimos o agora, o frio e doloroso presente. O que se tornou o presente foi o silêncio, a indiferença, o desconforto e claro, o afastamento. Aquelas palavras que significavam tanto, agora tantas vezes ditas e o vazio que vem com elas, palavras que ecoam no silêncio do nosso mundo. Mundo este tão fechado, tão utópico, tão irreal que simplesmente e somente não está resistindo.

5/10/2014

Pelo telefone

- Alô ?
- Oi... Sou eu !
- Você tá doida ? Sabe que horas são ?
- É que eu tive um pesadelo... com você sabe ? Eu sonhei que a gente brigava e tudo começa a dar errado.
- Mas você sabe né ? É só um sonho, minha linda.
- Eu sei, mas eu quis ligar pra confirmar. Desculpa. tá ?
- Que nada. Odeio acordar de madrugada mas fico feliz de te deixar tranquila.
- Mô ?
- Oi.
- Não vai embora não tá ?
- Claro que não, mas quanto drama ! Você sabe que eu te amo.
- Eu também te amo mas é que eu sou assim sabe ? Acho que se não tiver tragédia não pode ser minha vida.
- Bom, comigo nela você já pode se acostumar com a calmaria. Agora vamos dormir ?
- Tá bem, mas olha obrigada.
- Que nada, agora vai e sonha com essa conversa.

11/25/2013

Ontem o dia passou devagar, passei o dia todo dopada sob o efeito de um remédio que mal deixava eu me levantar da cama. Mesmo assim eu tremi. Tremia levemente, nada que saltasse aos olhos. Antes de dormir os olhos ardiam e as lágrimas  caiam copiosa e silenciosamente. Toda vez que vem o choro, vinha a tremedeira e eu sabia bem disso. Chorei até a vista embaçar, deixando turva a imagem do filme que passava na televisão.

Então é oficial, estou dando um tempo. Um tempo para as coisas que me machucam e que me ferem. Você sabe, há bastante tempo tenho deixado que elas corram livremente e venho me sentido esfaqueada, invadida e aberta desde então. Por isso eu mereço um tempo delas. Igualmente um tempo das coisas que me deixam sem gostos, sem sentir, então um tempo com os relaxantes e calmantes ; um tempo com tudo aquilo que me dopa, que me tira do ar só para eu não sentir. Eu quero sentir, eu quero sofrer, mas tudo da maneira certa, não é ?
E um tempo com você, que achou que eu iria culpa-lo por tudo isso que acontece. A verdade é que eu só culpo uma pessoa: eu mesma. Não por ter te deixado chegar e entrar na minha vida. Mas por ter deixado que o estrago fosse feito. Por ter sido cúmplice com você nesse ato de invasão. Por ter te dado sintomas que falavam ao invés de palavras. Por ter convertido todos os meus sentimentos negativos. Por ter te dado a crise histérica. Não sei se a escrita ou a talking cure vão funcionar comigo, mas a auto preservação sim. Então como te deixar saber do tempo ? Você vai saber. Aos poucos eu vou escorregar para longe. Suas coisas já estão separadas, não quero vê-las com frequência, não quero me deixar ferir por mais alguma coisa. Tem vezes que é melhor só, melhor protegidinha. Minha carne já ficou exposta o suficiente para  o corte.
E o medo ? Do mesmo medo que você perdeu eu também quero um tempo.

8/27/2013

Acontece

Eu estava parada no ponto de ônibus espremida embaixo dum guarda-chuva quando você parou o carro e perguntou se eu queria carona. Eu já tinha te visto antes, ufa, não era um desconhecido. Aceitei por dois motivos: estava morrendo de fome e queria logo ir para casa e porque detesto ficar na chuva. Pro meu azar você deixou a janela aberta e eu tive vergonha de pedir pra fechar. A chuva era fina e insistente.
No caminho fomos falando de tudo, aproveitando que tava engarrafado. Eu descobri que você fumava Lucky Strike enquanto dirigia, eca, detesto cigarro ! Te achava presunçoso. Você falou da vida e como andava sua tese. Falamos de Freud, de Laplanche, de Lacan e até do Jung. Era bom poder conversar com alguém sobre isso. Perguntou do namorado e eu perguntei da noiva. Estaria tranquilo se não fosse pela tensão no ar, aquela vontade de vomitar toda minha vida em cima de você. E como naqueles filmes bem água com áçucar, coisa que nunca acontece, eu esbarrei na sua mão e toda sem jeito (ou seria sem noção ?) eu me desculpei como se tivesse feito um pecado. Você riu e disse: "acontece" e esbarrou na minha mão.
Você parou o carro e eu saltei. Me sentindo mais importante, me sentido mais inteira. Por que será ? Eu não te amei e você não me amou. Te admirei, de fato, mas não te desejei. Não te quis e você não me quis. Mas foi gentil, mas foi suave, coisa que raramente eu tinha experimentado. Não sei se eu vou te ver de novo e não sei se me sentiria da mesma forma de novo se o visse.
Sabe como é, essas coisas não dá pra programar ou prever. Elas simplesmente acontecem.